A leishmaniose canina é uma doença séria que pode afetar seu cachorro de várias maneiras, especialmente em lugares onde ela é mais comum.
Para proteger seu melhor amigo e sua família, é fundamental entender onde a doença está avançando no Brasil e quais as medidas de prevenção mais eficazes.
Hoje, trouxemos um panorama completo sobre as áreas endêmicas e a relação entre os casos em cachorros e a saúde pública, sem alarmismo, mas com foco na conscientização.

Índice do Artigo
O que é leishmaniose visceral canina e por que devemos nos preocupar?
A leishmaniose visceral canina (LVC), também conhecida como calazar, é uma doença grave causada por um protozoário chamado Leishmania infantum. A transmissão ocorre quando o cachorro é picado por um inseto conhecido como mosquito-palha, que atua como vetor da doença.
No Brasil, o cachorro doméstico é considerado o principal reservatório urbano do parasito. Isso significa que, nas cidades, o cachorro é a principal fonte de infecção para o mosquito-palha, que pode, posteriormente, picar e transmitir a doença para outros cachorros e até mesmo para humanos. Portanto, proteger o seu cachorro é o primeiro passo para proteger toda a sua família e a comunidade ao redor.
A leishmaniose visceral tem se tornado um desafio cada vez maior nas grandes metrópoles. Historicamente, era uma doença comum em áreas rurais e silvestres. No entanto, o desmatamento, o crescimento desordenado das cidades e a adaptação do mosquito-palha a ambientes urbanos mudaram esse cenário. Hoje, a doença avança silenciosamente pelos quintais e jardins das nossas casas.
O mapa da leishmaniose no Brasil: onde a doença está mais presente

O Brasil concentra a grande maioria dos casos de leishmaniose visceral nas Américas. De acordo com o Ministério da Saúde, o país é responsável por cerca de 90% dos casos reportados em toda a América Latina.
A doença está presente em quase todas as regiões do país, mas sua distribuição mudou significativamente nas últimas décadas devido à urbanização.
A análise de dados recentes do Painel de Monitoramento das Leishmanioses revela um avanço preocupante da doença entre 2014 e 2024. O processo de urbanização e periurbanização fez com que a leishmaniose deixasse de ser um problema apenas do interior para se tornar um desafio complexo das capitais e grandes cidades.
Região Nordeste: o epicentro histórico em transformação
A Região Nordeste é, historicamente, o maior foco de leishmaniose no Brasil. Embora a doença tenha se espalhado para outras regiões, o Nordeste ainda concentra cerca de 47% dos casos nacionais, segundo dados consolidados de vigilância epidemiológica.
Entre 2018 e 2022, foram registrados 7.217 casos confirmados apenas nesta região. A distribuição entre os estados mostra o Maranhão e a Bahia como os mais afetados:
- Maranhão: Lidera com 2.180 casos (cerca de 30% do total regional).
- Bahia: Segue com 1.847 casos (aproximadamente 25%).
- Ceará: Registrou 1.289 casos.
- Piauí: Contabilizou 1.050 casos.
Em cidades como Fortaleza, no Ceará, a doença encontrou um ambiente propício para se espalhar. A cidade registrou um pico de 11,2% de soroprevalência em cachorros no ano de 2013. Embora esse número tenha caído para 3,5% em 2023, Fortaleza ainda é classificada como área de transmissão “muito intensa”.
A prevenção contínua é essencial para os cachorros que vivem nesses estados, especialmente em bairros como Messejana e Conjunto Ceará I, que apresentam as maiores prevalências.
Nós temos aqui no blog um artigo completo com dicas para as viagens com seu pet. Lá falamos sobre áreas endêmicas e como proteger você, sua família e seu cachorro.
Região Sudeste: o fenômeno da urbanização acelerada
O Sudeste tem chamado a atenção de médicos-veterinários e autoridades de saúde devido à rápida expansão da doença para áreas urbanas densamente povoadas.
Em períodos de pico de urbanização, a região chegou a concentrar cerca de 44% das novas notificações do país, um salto impressionante para uma área que antes tinha poucos registros.
O estado de São Paulo vive um fenômeno de interiorização agressiva. Cidades como Araçatuba são marcos dessa disseminação, apresentando uma soroprevalência de 8,1% em estudos recentes.
O avanço para regiões como Campinas e a proximidade com a capital é o fato mais alarmante da última década. Em Minas Gerais, Belo Horizonte registrou transmissão muito intensa em diversos triênios recentes, com um volume acumulado de 1.251 casos humanos, o que potencialmente indica uma carga de infecção em cachorros ainda muito maior na capital mineira.
Região Centro-Oeste: a endemicidade consolidada
No Centro-Oeste, a leishmaniose já faz parte da realidade de muitas cidades. A região responde por cerca de 9% dos casos nacionais, mas com focos urbanos de transmissão muito intensa. Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, figura no ranking nacional com 1.400 casos acumulados.
Em Cuiabá, Mato Grosso, estudos publicados no SciELO em cachorros com suspeita clínica revelaram uma prevalência de 38% de infecção. A doença distribui-se de forma difusa pela cidade, mas com maior concentração em bairros de baixa renda. A disseminação para cidades vizinhas, como Várzea Grande, exige que os tutores redobrem os cuidados com a prevenção.
Região Norte: alta incidência e expansão geográfica
A Região Norte responde por aproximadamente 18% dos casos nacionais e representa uma área de transição epidemiológica ativa.
O estado do Tocantins destaca-se com o maior número de municípios de alto risco, como Araguaína, que registrou 1.458 casos acumulados, ocupando o topo do ranking de municípios afetados.
Um caso emblemático na região é o município de Canaã dos Carajás, no Pará. Um estudo realizado entre 2018 e 2022 revelou um dado assustador: 85,68% dos cachorros avaliados (4.389 de 5.126) foram diagnosticados com leishmaniose.
Essa taxa sugere uma transmissão praticamente universal entre a população canina local, reforçando o risco muito elevado para as famílias da região.
Região Sul: a nova fronteira da leishmaniose
Até 2006, a Região Sul era considerada livre da leishmaniose visceral canina. No entanto, os últimos anos marcaram a chegada e a consolidação da doença. O primeiro caso canino autóctone ocorreu em São Borja (RS) em 2006, seguido por Santa Catarina em 2010 e Paraná em 2012.
Em 2017, inquéritos sorológicos no Rio Grande do Sul revelaram dados alarmantes em grandes centros, conforme análises publicadas no PMC/NCBI:
- Porto Alegre: 27,9% de prevalência em cachorros testados.
- Uruguaiana: 20,8% de prevalência.
- São Borja: 17,6% de prevalência.
A expansão para o Sul comprova a incrível capacidade de adaptação do mosquito-palha. O trânsito de animais infectados e a proximidade com países fronteiriços, como Argentina e Paraguai, contribuíram para que a doença cruzasse essa fronteira.

A relação entre cachorros infectados e a saúde da família
Muitos tutores se perguntam: se o meu cachorro estiver doente, ele pode transmitir a leishmaniose diretamente para mim?
A resposta é não. A transmissão não ocorre pelo contato direto com o cachorro, como carinhos, lambidas ou mordidas. O único meio de transmissão é através da picada do mosquito-palha infectado.
No entanto, a presença de um cachorro infectado no quintal aumenta significativamente o risco de que mosquitos-palha da região se infectem ao picá-lo e, em seguida, piquem as pessoas da casa.
Estima-se que, para cada caso humano da doença, existam de 10 a 50 cachorros infectados na mesma área.
O grande perigo é que muitos cachorros portadores do parasito são assintomáticos. Estudos indicam que uma proporção significativa da população soropositiva não apresenta sinais clínicos óbvios. Esses cachorros “silenciosos” continuam servindo de fonte de infecção para os mosquitos. Por isso, exames de rotina e a prevenção contínua são indispensáveis.
Como o mosquito-palha se reproduz e onde ele vive

Para proteger seu cachorro, é preciso conhecer o inimigo. Diferente do mosquito da dengue (Aedes aegypti), que se reproduz em água parada, o mosquito-palha prefere ambientes úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica em decomposição.
Os locais favoritos para o mosquito-palha colocar seus ovos incluem:
- Folhas secas acumuladas no chão.
- Frutos apodrecidos sob as árvores.
- Fezes de animais não recolhidas.
- Restos de poda de árvores e grama.
- Locais próximos a galinheiros e chiqueiros.
Manter o quintal limpo, varrer as folhas, recolher as fezes do seu cachorro diariamente e evitar o acúmulo de lixo orgânico são medidas fundamentais para diminuir o risco de proliferação do mosquito-palha ao redor da sua casa.

Como proteger seu cachorro da leishmaniose visceral canina
A prevenção é, sem dúvida, a ferramenta mais poderosa contra a leishmaniose. Como não existe uma vacina que ofereça 100% de proteção e o tratamento não elimina totalmente o parasito, evitar a picada do mosquito-palha é a principal estratégia.
Para proteger seu cachorro contra a picada do mosquito-palha, que transmite a leishmaniose, produtos como o Vectra® 3D oferecem uma proteção eficaz, agindo como repelente e inseticida.
A aplicação mensal em pipeta é simples e atua na pele do animal. O Vectra® 3D possui ação repelente e inseticida contra mosquitos e flebótomos, com início de ação em apenas 1 hora e proteção garantida por 4 semanas.
Além da leishmaniose, é fundamental proteger seu animal contra outros parasitas que também causam doenças graves.
O Vectra® 3D, por exemplo, atua eliminando pulgas por contato, com início de ação em 15 minutos, e carrapatos, impedindo que eles se fixem na pele do cachorro através do efeito hot-foot (pés quentes).
Essa proteção abrangente é um gesto de amor que garante o bem-estar do seu companheiro.
Meu cachorro foi diagnosticado com leishmaniose. E agora?

Receber o diagnóstico de leishmaniose visceral canina pode ser assustador, mas é importante manter a calma. Hoje, a doença não é mais uma sentença sem alternativas. Com o acompanhamento de um médico-veterinário de confiança, é possível oferecer uma boa qualidade de vida ao seu cachorro.
Se o diagnóstico de leishmaniose for confirmado, o médico-veterinário indicará o tratamento adequado. Uma das opções terapêuticas disponíveis no Brasil é o MARBOX-LEISH®, desenvolvido para ajudar a reduzir a carga parasitária e melhorar os sintomas do seu cachorro.
Com o tratamento adequado, é possível reduzir significativamente os sintomas da leishmaniose, proporcionando mais conforto e qualidade de vida ao seu pet. Mas lembre-se, o manejo terapêutico da leishmaniose pode ser desafiador, pois geralmente é prolongado e pode envolver a utilização combinada de diferentes medicamentos. Dessa forma, a definição do tratamento deve ser realizada pelo médico-veterinário, que avaliará os sinais clínicos, o estágio da enfermidade e as características individuais de cada animal para estabelecer a conduta mais adequada. Ainda, é crucial entender que o tratamento não elimina 100% dos parasitos.
O cão permanecerá como portador da doença. Por isso, mesmo durante e após o tratamento, é obrigatório manter o uso de repelentes tópicos, como o Vectra® 3D, para diminuir o risco de que mosquitos-palha piquem o cão tratado e transmitam a doença para outros animais e pessoas.
Perguntas frequentes sobre a leishmaniose canina
A leishmaniose canina tem cura?
Não. A cura parasitológica total (eliminação de todos os parasitos do corpo) ainda não é comprovada. No entanto, com o tratamento adequado, é possível alcançar a remissão clínica, ou seja, a melhora dos sintomas e a recuperação da qualidade de vida do cachorro.
Posso pegar leishmaniose do meu cachorro se ele me lamber?
Não. A doença não é transmitida por contato direto, saliva, mordidas, urina ou fezes do cachorro. A única forma de transmissão é através da picada do mosquito-palha infectado.
Como saber se meu cachorro tem leishmaniose?
Os sintomas podem variar muito, incluindo emagrecimento, feridas na pele (especialmente focinho e orelhas), crescimento exagerado das unhas, apatia e problemas oculares. No entanto, muitos cachorros não apresentam sintomas. Apenas exames de sangue específicos solicitados pelo médico-veterinário podem confirmar a infecção.
Qualquer mosquito transmite a leishmaniose?
Não. A doença é transmitida especificamente pelo flebotomíneo, conhecido como mosquito-palha, birigui ou tatuquira. Ele é menor que um pernilongo comum, tem cor amarelada e voa em pequenos saltos.
O papel das mudanças climáticas no avanço da doença
Além do desmatamento e do crescimento urbano desordenado, as mudanças climáticas globais têm desempenhado um papel silencioso, porém significativo, na expansão da leishmaniose visceral canina pelo Brasil.
O aumento das temperaturas médias e as alterações nos regimes de chuvas criam microclimas favoráveis à sobrevivência e proliferação do mosquito-palha em regiões onde ele antes não conseguia se estabelecer.
No Sul do Brasil, por exemplo, invernos menos rigorosos e verões mais prolongados têm permitido que o inseto vetor complete seu ciclo de vida com mais facilidade.
Esse fator ambiental, somado à intensa movimentação de pessoas e animais de estimação entre diferentes estados, facilita a introdução do parasito em áreas consideradas indenes (livres da doença) até poucos anos atrás.
A vigilância epidemiológica e a conscientização dos tutores nessas “novas fronteiras” tornam-se, portanto, ferramentas indispensáveis para conter o avanço da leishmaniose.
A importância do diagnóstico precoce e da medicina preventiva
A medicina veterinária moderna baseia-se fortemente na prevenção e no diagnóstico precoce. Levar o seu cachorro para consultas regulares não é apenas um cuidado com a estética ou com as vacinas anuais, mas uma oportunidade vital para realizar exames de rotina que podem identificar a presença da Leishmania infantum antes mesmo que os primeiros sinais clínicos apareçam.
Exames sorológicos rápidos e testes laboratoriais mais aprofundados, como a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) e/ou a RIFI (Reação de Imunofluorescência Indireta), são ferramentas valiosas nas mãos do médico-veterinário para o diagnóstico da leishmaniose.
Identificar um cão assintomático precocemente permite iniciar o acompanhamento clínico imediato, , e intensificando o uso de repelentes, como o Vectra® 3D, para garantir que ele não se torne uma fonte de infecção no seu bairro.
O compromisso da comunidade na luta contra a leishmaniose
Proteger os cães e as famílias da leishmaniose visceral não é uma tarefa apenas individual, mas um compromisso de toda a comunidade. Em áreas endêmicas, a ação conjunta de vizinhos é fundamental. De nada adianta manter o seu quintal impecavelmente limpo se o terreno ao lado acumula lixo orgânico e folhas úmidas, servindo de criadouro para o mosquito-palha.
A educação ambiental e o compartilhamento de informações confiáveis são as nossas melhores armas. Converse com seus vizinhos, amigos e familiares sobre os riscos da doença e a importância da limpeza dos quintais.
Incentive a posse responsável, que inclui o uso ininterrupto de repelentes e a realização de exames periódicos. Ao criarmos uma rede de proteção comunitária, dificultamos a circulação do mosquito-palha e, consequentemente, a transmissão da leishmaniose visceral canina.
A prevenção é um ato de amor

O avanço da leishmaniose visceral canina no Brasil é uma realidade que exige atenção, mas não pânico.
A informação correta é a nossa melhor defesa. Entender as áreas endêmicas, conhecer o ciclo do mosquito-palha e, principalmente, adotar medidas preventivas rigorosas são passos essenciais para manter a doença longe dos nossos lares.
A saúde do seu cachorro está diretamente ligada à saúde da sua família. Ao manter o ambiente limpo e utilizar proteção tópica contínua, você cria um escudo protetor ao redor de quem você ama.
Consulte sempre o seu médico-veterinário para estabelecer o melhor protocolo de prevenção para o seu animal e lembre-se: cuidar da saúde do seu cachorro é um compromisso diário com o bem-estar de todos.
Referências




