A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma das doenças que mais gera insegurança e questionamentos no Brasil.
Por ser uma zoonose grave, ou seja, uma doença que pode ser transmitida aos seres humanos através da picada do mosquito-palha, a circulação de informações incompletas ou incorretas é comum.
Para esclarecer os pontos mais críticos, reunimos os 5 questionamentos mais frequentes, são as dúvidas sobre a LVC que mais aparecem nos comentários aqui no blog.
Vamos respondê-las com base em documentos oficiais do Ministério da Saúde, do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e de especialistas da Fiocruz e do Brasileish. Nosso objetivo é oferecer um guia seguro, técnico e humano para proteger seu pet e quem você ama.

Índice do Artigo
1. A leishmaniose canina tem cura?
Esta é, sem dúvida, a pergunta mais comum nos consultórios veterinários. Tecnicamente, a resposta exige uma distinção importante entre a eliminação do parasita e o desaparecimento dos sintomas.
De acordo com as notas técnicas do Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), até o momento não existe uma “cura parasitológica” comprovada para a leishmaniose canina. Isso significa que, mesmo com o tratamento, é extremamente difícil eliminar 100% dos protozoários do corpo do animal. No entanto, existe a cura clínica.
Como explica o Dr. Filipe Dantas-Torres, pesquisador da Fiocruz Pernambuco, presidente do Tropical Council for Companion Animal Parasites (TroCCAP) e membro do Brasileish, em diretrizes publicadas sobre o controle da doença:
“O tratamento pode resultar na remissão dos sinais clínicos e na redução da carga parasitária, melhorando significativamente a qualidade de vida do cão e reduzindo sua infectividade para o vetor.” [1]Portanto, o cão tratado pode viver de forma saudável e feliz, desde que mantido sob monitoramento veterinário constante e proteção contra novas picadas.
2. Como meu cão pega leishmaniose? É pelo contato direto?

Existe um mito persistente de que a leishmaniose pode ser transmitida pelo contato direto com o cão (saliva, urina ou lambidas). Isso é falso.
A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea do inseto flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha. Conforme detalhado no Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral do Ministério da Saúde:
“A transmissão ocorre pela picada de insetos infectados. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa, nem de animal para animal ou de animal para pessoa.” [2]Essa informação é fundamental para combater o preconceito contra cães positivos. O animal doente não oferece risco direto à família; o risco real está na presença do mosquito no ambiente.
3. Quais são os primeiros sinais da doença?
O grande desafio da leishmaniose é que ela é uma “doença silenciosa“. O período de incubação pode variar de meses a anos. No entanto, quando os sinais aparecem, eles costumam afetar a pele e o estado geral do animal.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em suas publicações de orientação ao responsável pelo cão, destaca os sinais clássicos que devem acender o alerta:
- Emagrecimento progressivo (mesmo que o cão coma bem);
- Descamação da pele e feridas que não cicatrizam (especialmente em orelhas e focinho);
- Crescimento exagerado das unhas (onicogrifose);
- Perda de pelos ao redor dos olhos (aspecto de “óculos”). [3]
Nós temos um artigo mais completo sobre os principais sintomas, você pode ver mais sobre isso. Ao notar qualquer um desses sinais, a recomendação unânime dos especialistas é buscar o diagnóstico laboratorial imediato.
Não podemos deixar de aproveitar para indicar nosso artigo que lista os principais exames e até mostra alguns locais no Brasil em que você pode fazer isso de graça.
4. O tratamento é proibido no Brasil?

Houve um período em que o tratamento de cães com leishmaniose era restrito ou desencorajado no Brasil, mas esse cenário mudou drasticamente.
Desde 2016, com a nota técnica conjunta do Ministério da Saúde e do MAPA, o tratamento é permitido, desde que se utilize medicamentos de uso exclusivamente veterinário registrados no MAPA para esse fim.
A pesquisadora Paula G. P. R. de Paula, em sua tese pela USP sobre a informação da leishmaniose ao alcance da população, reforça que:
“O tratamento é uma ferramenta de saúde pública, pois cães tratados e monitorados apresentam menor carga parasitária, o que auxilia na interrupção da cadeia de transmissão, desde que associado ao uso de repelentes.” [4]
O uso de medicamentos humanos para tratar cães é proibido por lei para evitar que o parasita desenvolva resistência aos fármacos usados na medicina humana.
5. Como posso proteger meu cão e minha família?
Se o mosquito é o responsável pela transmissão, a prevenção deve ser focada em impedir que ele pique o animal. A estratégia mais eficaz e recomendada por especialistas da Fiocruz e do Brasileish é o manejo integrado.
E como seria esse manejo?
- Uso de Repelentes Tópicos: O uso de coleiras ou pipetas repelentes (como o Vectra® 3D) é a medida individual mais importante.
- Higiene Ambiental: O mosquito-palha se reproduz em matéria orgânica (folhas, frutos apodrecidos, fezes). Manter o quintal limpo é essencial.
| Medida de Prevenção | Como Funciona | Importância |
| Repelentes (Vectra® 3D) | Minimiza o risco de que o mosquito pique o cão | Alta (Barreira principal) |
| Limpeza do Quintal | Elimina os criadouros do mosquito | Alta (Controle ambiental) |
| Telas em Canis | Barreira física contra o inseto | Média (Proteção extra) |
A leishmaniose visceral canina é uma doença séria, mas o conhecimento de como prevenir a infecção é a melhor ferramenta de proteção. Entender que o cão não é o culpado, mas sim a principal vítima, muda a forma como lidamos com a prevenção.
Com o uso correto de repelentes como o Vectra® 3D, o diagnóstico ágil e, se necessário, a utilização de medicamentos aprovados para melhorar a condição clínica do animal, como o MARBOX-LEISH®, é possível proteger seu pet e garantir a segurança de toda a sua família.
Referências:
- Dantas-Torres, F. Control of visceral leishmaniasis in Brazil. PMC – NIH/Fiocruz. Acesso em: 26 fev. 2026.
- Ministério da Saúde. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral. Brasília, 2014 (Atualizado em 2020).
- Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Guia de Bolso: Leishmaniose Visceral. Comissão de Saúde Pública.
- Paula, G. P. R. Leishmaniose visceral canina no Brasil: informação ao alcance da população. Tese de Mestrado – USP. 2021.
- Fiocruz. Leishmanioses, e eu com isso? Ações educativas intersetoriais. Campus Virtual Fiocruz.
- Brasileish. Diretrizes para o diagnóstico, estadiamento, tratamento e prevenção da leishmaniose canina na América Latina. 2025. Disponível em: https://www.brasileish.com.br/ Acesso em: 20 fev. 2026.




